O tempo não para

Sinopse: Conheça a história da novela O Tempo Não Para

Em meio à aura de dúvidas sobre os “congelados”, Dom Sabino (Edson Celulari) desperta. Ele questiona Herberto (Cláudio Mendes), o médico que está vigiando a sala das cápsulas, sobre onde está e por que teria sido enterrado vivo naquele “ataúde”. Como se tivesse ouvido os clamores da primogênita, começa a questionar o paradeiro de Marocas. Herberto tenta explicar que eles estavam congelados e Dom Sabino fica impaciente com a ausência de respostas plausíveis. Até que repara nas cápsulas vizinhas e percebe toda sua família em estado apático. A imagem é forte demais para Dom Sabino, que é levado ao hospital.
E nasce uma amizade improvável

Dom Sabino (Edson Celulari) acorda completamente desorientado e com uma máscara de oxigênio no rosto. No leito, ao lado da sala de recuperação, está Eliseu (Milton Gonçalves), um catador de material reciclável, que sofreu uma crise no nervo ciático e foi levado à emergência.
Eliseu está acompanhado de sua neta Paulina (Carol Macedo), embora ela não saiba e seja criada como filha. Eliseu observa aquela curiosa figura com roupas e vocabulário totalmente deslocados no tempo falando que precisa encontrar a filha e seguir para sua fazenda na Freguesia do Ó. Ele se compadece com a clemência do sujeito e, percebendo que não está em seu perfeito estado, oferece ajuda. Dom Sabino aceita na hora, afinal, está ansioso por rever Marocas e de fato precisa de um guia para orientá-lo em um lugar tão “esquisito”.

Nada poderia ter preparado Eliseu e Paulina para o que eles testemunhariam. Mal coloca os pés na rua, Dom Sabino tem um sobressalto. Os sinais e o trânsito, cheio de “carroças motorizadas”, são uma visão inédita para ele. Paulina chama um táxi para os três, e Dom Sabino fica admirado com a curiosa carruagem que se aproxima. Eles seguem em direção à Freguesia do Ó, onde Eliseu mora, e o caminho é um espetáculo de luzes e cores da cidade grande para o patriarca dos Sabino Machado, que ainda acredita estar no século XIX.

Ao chegar à casa de Eliseu, Dom Sabino se surpreende com cada modernidade que se apresenta. Uma simples luz elétrica, uma torneira ou uma privada parecem engenhocas de última geração. Só poderiam estar em Paris, Dom Sabino pensa. Acredita que o Albatroz sofreu um desvio de rota e foi parar na cidade luz. Nesta incursão pelo novo mundo, Dom Sabino sente que Eliseu poderá ajudá-lo a encontrar sua família. Ele nem imagina tantas descobertas que o aguardam pela frente.

A pensão de Coronela
Também na Freguesia do Ó está localizada a pensão de Coronela (Solange Couto). Uma viúva que herdou o título do falecido marido e o imóvel de onde tira seu sustento. É a fofoqueira mor do bairro e vive uma relação de gato e rato com Januza (Bia Montez), uma de suas funcionárias. Ela está sempre arrumando um jeito de atrair mais clientela para seu empreendimento e seus olhos vão brilhar quando descobrir a história dos “congelados”. Será capaz de reformar parte de sua pensão para conquistá-los e, claro, garantir uns aluguéis mais caros.

Coronela é mãe da oficial de Marinha Waleska (Carol Castro) e elas moram no sobrado ao lado da pensão. Mais discreta, Waleska sente certa vergonha do jeito despachado e expansivo da mãe, que gera alguns momentos cômicos e outros embaraçosos para ela. A oficial tem um relacionamento escondido com Elmo (Felipe Simas) e na maioria das vezes eles se encontram, literalmente, às escuras: Elmo pula a janela do quarto de Waleska.

Apesar de não assumi-lo, Waleska vai se surpreender ao descobrir que o sentimento pelo rapaz é mais forte do que imaginava, quando ele começa a se aproximar de uma das “congeladas”, Miss Celine (Maria Eduarda de Carvalho). Mesmo sendo extremamente esperta, Waleska nem desconfia da paixão que seu colega de trabalho, Mateus (Raphael Vianna), nutre por ela.
Roupas e visuais evidenciam as diferenças entre “congelados” e “contemporâneos”
As equipes de figurino e caracterização estão trabalhando para evidenciar as singularidades entre os núcleos “congelado” e “contemporâneo” e o choque proveniente do encontro entre personagens de séculos diferentes. A figurinista Paula Carneiro adotou cores mais vivas e quentes para a família Machado e seus agregados, enquanto os personagens de 2018 seguem uma linha com cores mais sóbrias.

Já a caracterizadora Juliana Mendes dá ênfase às diferenças principalmente através de penteados, cortes e tatuagens. “Para conceituar a caracterização, o exercício era imaginar, o tempo todo, o que pessoas do século XIX pensariam se vissem pessoas do século XXI. O visual dos personagens contemporâneos é bem representativo das mudanças que ocorreram nesses 132 anos”, pontua Juliana. Por isso, a equipe explora cabelos mais curtos para as mulheres, o que era improvável em 1886, além de cabelos coloridos e raspados.
Como a novela parte de uma premissa improvável e tem muito humor, foi possível contar com uma licença poética e não se prender tanto às referências da época. “É uma novela bem colorida e buscamos uma alegria nos trajes dos congelados”, explica a figurinista Paula Carneiro.

Entre os “congelados”, há muita textura, xadrez e listras misturadas no mesmo look. O patriarca Dom Sabino (Edson Celulari) usa roupas com estilos mesclados. A gravata e a calça são xadrez, mas de padrões diferentes. A protagonista, Marocas (Juliana Paiva), é dona de uma personalidade forte e isso fica perceptível no visual dela. A maioria das mulheres da época usava “anquinha”, uma espécie de armação sob as saias para dar volume, mas ela não é adepta desse artifício. “Marocas não é uma mocinha, ela foi criada igual a um homem pelo pai. Queríamos que ela tivesse uma personalidade, uma força e uma beleza muito exclusivas”, conceitua Paula. Isso também fica marcado na caracterização de Marocas, que, já em 1886, tem uma postura mais moderna, de vanguarda. “Trabalhamos com tranças mais soltas e largas. Na época as mulheres usavam o cabelo preso, então isso já é um sinal da independência dela”, comenta Juliana Mendes

Peças em couro colorido são marca de Marocas. Uma das composições é casaco de couro azul, saia pintada a mão, corset de couro vinho e pochete. Ela também usa muito obi, uma faixa típica japonesa, de couro. Já em 2018, um tempo depois de descongelar, Marocas vai inserir algumas peças modernas ao visual. Ela vai seguir uma linha vintage, misturando alguns elementos de brechó com outros modernos, sem perder sua essência. Há também a mistura de rendas, tules e muitos tecidos que eram usados no século XIX com releitura atual.

Também no século XXI, todo o engajamento social e estilo de vida sustentável de Samuca (Nicolas Prattes) se refletem em sua forma de se vestir. Ele preza pelo conforto acima de tudo: calça de sarja, camiseta e sandálias de cortiça. “Ele traz seu ideal de vida para o visual. Samuca tem um lado mais cool, descolado, de não dar tanto valor para a estética”, explica Paula. Já Carmen (Christiane Torloni), sua mãe, é uma mulher cosmopolita e moderna, que com um simples blazer e uma camisa deixa seu charme e sensualidade visíveis. Betina (Cleo) tem um estilo mais clean. É adepta de casaco com pele falsa, sapatos sem salto e roupa de veludo molhado. A diferença entre Marocas e Betina é evidente no figurino e também na caracterização. Enquanto Marocas tem um cabelo longo, Betina usa um corte curto e com mechas mais claras. Para a personagem, Juliana Paiva escureceu as madeixas e colocou mega hair, enquanto Cleo cortou e clareou os fios.

Já para o núcleo da pensão de Coronela (Solange Couto), na Freguesia do Ó, Paula conta que vai adotar muita sobreposição com estampas e listras, destacando a alegria única daquele espaço. Da Freguesia do Ó para o Jardins, a estilista Zelda Larocque (Adriane Galisteu) tem um estilo que se destaca. Ela se expressa de forma retrô e rock’n’roll. Usa peças rasgadas e com inspiração no Festival de Woodstock.

Outro elemento de caracterização que marca a diferença entre épocas é a tatuagem, que no século XIX era usada apenas por piratas e presidiários. Isso causará um enorme estranhamento – e muitas confusões – por parte dos “congelados” diante de personagens como Elmo (Felipe Simas) e Betina (Cleo), que têm diversas tatuagens visíveis.

A equipe de Juliana Mendes também teve um cuidado para tirar marcas de vacina dos “congelados”. Quando eles ficam na cápsula de criogenia, há uma maquiagem para deixá-los com o rosto mais pálido, afinal, não viram a luz do sol por 132 anos.
Cenografia e efeitos visuais e especiais se integram para as cenas de naufrágio do barco e bloco de gelo

As sequências de naufrágio do barco da família Sabino Machado demandaram um esforço conjunto das equipes de efeitos visuais e especiais, além da cenografia. O navio Albatroz completo foi modelado em 3D pela equipe de efeitos visuais, mas contou com alguns cenários para as gravações, como o convés, o salão de jantar, as cabines e a sala de máquinas.
Medindo 24 m², o cenário da casa de máquinas foi construído dentro de um tanque com capacidade para 90 mil litros de água e foi inundado em apenas 20 segundos, para mostrar a área que se choca com o iceberg.

Já a simulação do iceberg e descongelamento foi um trabalho para a equipe de efeitos visuais. Cerca de 30 pessoas foram destacadas para essas sequências, que exigiram um estudo aprofundado para reproduzir o bloco de gelo em que os “congelados” estão. Foi necessário planejar toda a estrutura, da textura ao formato, até a translucidez e os pequenos cascalhos que caem no processo de descongelamento.

O imenso bloco de gelo mede 30 metros de comprimento, com 17 metros de largura e 16 metros de altura. Para gravar as cenas, foi colocado um chroma key em alto-mar sustentado por uma balsa de mesma dimensão do iceberg.

Também foram simulados virtualmente detalhes como a fumaça do navio, a rachadura no casco feita pelo iceberg, o mar e a reação da água quando bate no barco, gerando onda e espuma. Além disso, a equipe de efeitos visuais também cuidou da reconstituição de época: a praça XV e as construções do Rio de Janeiro do século XIX, onde a família embarca.

Para marcar a passagem de tempo de 132 anos – de 1886 a 2018 – e o período em que o grupo fica congelado, foi desenvolvido um trabalho de grafismo com diversos acontecimentos históricos do período: imagens das guerras mundiais, fotos de ícones da ciência, da arte e do esporte, entre outros marcos.

De 1886 para 2018: a riqueza da cenografia e da arte para dar unidade a essa história
Um dos conceitos do trabalho, que está presente nos séculos XIX e XXI, é a presença de cores vibrantes pontuais. “Vamos ter alguns elementos com cores mais explosivas que se destacam. Isso é algo que está presente na novela desde o princípio e ajuda a criar um vínculo entre as duas épocas”, explica o cenógrafo Keller Veiga, que assina ao lado de Alexis Pabliano e Gilson Santos. “Tem a forte presença das cores vermelha, laranja e amarela na nossa paleta”, complementa a produtora de arte Angela Melman.

A cidade cenográfica da novela ocupa um espaço de quase 10 mil metros quadrados nos Estúdios Globo e reproduz o bairro paulistano Freguesia do Ó. Para dar vida a esse bairro tradicional de São Paulo, a cenografia trouxe elementos característicos do local, como cores quentes, grafite e muretas. Há cerca de trinta construções na área, entre elas a loja de cosméticos de Mazé (Juliana Alves), o cortiço onde Marciana (Cyria Coentro) mora, uma padaria, um bar e a SamVita, que é um dos principais pontos de encontro dos personagens da novela.

O prédio da empresa de Samuca (Nicolas Prattes) é moderno e traz uma proposta “inteligente”: é formado por duas torres de vidro de 9 metros de altura interligadas por mezaninos, e conta com a fachada antiga, pois a construção foi erguida onde havia um prédio de outra época e que passou por revitalização. “Essa já é uma política de uso do espaço urbano de arquitetos e urbanistas. Consiste em manter a fachada, zelar por ela e criar um interior. O estilo de vida do Samuca permite essa arquitetura e essa proposta estética para simbolizar esse tipo de ideal que ele carrega”, conceitua Keller Veiga. A ideia é integrar o exterior com o interior e proporcionar o uso da luz natural e um ambiente de trabalho mais descontraído. Tendo em vista essa proposta, há escorrega, café, academia e bicicletário, por exemplo.

“Os espaços da SamVita são integrados e possuem ambientes multiuso e salas de convivência com mesões, onde os funcionários trabalham entre puffs, sofás e cadeiras. Os profissionais usam laptop em vez de desktop”, explica Angela Melman. Além disso, seguindo a linha de sustentabilidade da empresa, os funcionários levam suas próprias canecas e squeezes para evitar o uso de plástico. “A SamVita traz uma proposta inspirada nas principais startups mundiais. É um ambiente que foge de formalidades ou padrões”, complementa Angela.

Outro cenário interessante da novela é a Criotec. Ela conta com área de recepção, restaurante, escritórios e a sala das cápsulas criogênicas. “Queremos trazer um aspeto de modernidade e futurismo para esse laboratório”, explica Alexis Pabliano. A Criotec conta com painéis em acrílico que funcionam como telas de computador touch screen no ar, como se a imagem flutuasse.

Uma novela e cinco destino

A equipe da novela viajou para cinco destinos diferentes nos meses de maio e junho para as cenas iniciais. O primeiro deles foi Guarujá, em São Paulo, onde foram rodadas as sequências em que o bloco de gelo chega à orla e Samuca se aproxima desse monumento. A Praia do Pernambuco, que foi usada como locação, recebeu cerca de 200 pessoas, entre equipe, elenco e figuração.

Logo depois, a produção seguiu para a Costa Verde do Rio de Janeiro. Na Praia de Itaguaçu, localizada em Ilha Grande, foram captadas as cenas em que Marocas desperta nos braços de Samuca após o descongelamento, na fictícia Ilha Vermelha.

As sequências do século XIX contam com locações em Mangaratiba e Sapucaia, localizadas no interior da capital fluminense. Seguindo viagem, diversos pontos importantes de São Paulo também foram set da novela no século XXI, como a Avenida Brigadeiro Faria Lima, a Freguesia do Ó, a Praça da Sé, a Avenida Paulista, a Ponte Estaiada e a Oscar Freire.

“Estamos com imagens lindíssimas. Temos praia, fazenda, além de uma São Paulo moderna para ajudar a ilustrar esse impacto dos ‘congelados’. É fundamental para a história dar essa vida às cenas, porque a trama é ágil e tem muito movimento. Fomos muito bem recebidos em cada um desses destinos e estamos muito felizes com as locações”, explica o diretor artístico Leonardo Nogueira.

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