Realismo dá o tom da minissérie da Globo Justiça

Para traduzir em imagem os dramas dos personagens de ‘Justiça’, o diretor José Luiz Villamarim firmou um compromisso com o realismo. É um conceito que está no texto da autora Manuela Dias, e reflete na fotografia que captura a crueza das cores de Recife, o figurino típico das ruas e a caracterização sem glamour. Vida real, vida que segue para personagens marcados por atitudes tomadas de maneira intempestiva, em situações-limite.

Desde o início das gravações, em maio, atores como Adriana Esteves, Cauã Reymond, Enrique Diaz, Angelo Antônio, Julia Dalavia, Marjorie Estiano, Vladimir Brichta, Luisa Arraes, Jéssica Ellen, Jesuíta Barbosa e Drica Moraes foram submetidos a uma verdadeira desconstrução de imagem. A encomenda do diretor pedia que qualquer artifício que afastasse os personagens da realidade ficasse fora do set. Por isso, a equipe trabalhou com o mínimo de maquiagem e um figurino com peças simples e despojadas. Nem mesmo as unhas das atrizes foram pintadas, à exceção das que trabalham no Snack Night Club, a sauna que ambienta um núcleo da trama.

Lu Moraes, a responsável pela caracterização, abraçou o desafio proposto por Villamarim e passou a olhar para o elenco buscando o que é simples. “Aqui não há brilho, tampouco cabelos com cara de festa. Tem gente com olheiras por noites mal dormidas. A história é fictícia, mas o que se sente ao conhecer os personagens é crível, humano, visceral”, esclarece. Outro desafio da caracterização também foi transitar entre os anos de 2009 e 2016. Como a gravação das cenas não segue uma ordem cronológica, a equipe buscou elementos que deixassem os personagens ora mais jovens, ora mais velhos, apesar da pequena passagem de tempo. Cauã Reymond, que interpreta o contador Maurício, ganhou mais fios brancos e óculos para aparentar mais idade. Já Luisa Arraes, que vive a professora Débora, usou uma franja nas sequências que mostram sua adolescência.

Uma questão crucial para a equipe de caracterização foi reproduzir as marcas que o tempo imprime em alguém que passa anos preso. A doméstica Fátima, por exemplo, personagem de Adriana Esteves, quando deixa a prisão depois de sete anos, aparenta uma pele sem frescor, maltratada pela tristeza. Para que essa carga dramática alcance o espectador, manchas foram aplicadas no rosto da atriz.

Já o figurino exigiu uma ampla pesquisa de campo de Cao Albuquerque e Natália Duran, para determinar exatamente como os tipos retratados na minissérie se comportam no cotidiano. Por isso, muita coisa foi comprada em Recife, em especial as peças do núcleo de Fátima (Adriana Esteves). “Trouxemos muita coisa em tecido sintético. O Cao foi a campo e eu fui às compras”, conta Natália.



Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *