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Cinco dicas para se escrever uma novela mexicana

Dica 1: Uma mocinha pobre deve se apaixonar por um mocinho rico de nome conjugado do tipo Vitor Manoel, Fernando José, Carlos Daniel e o amor, é claro, tem que ser correspondido.

Dica 2: O romance deve ser atrapalhado por alguma megera que pode ser a noiva rica e mimada do mocinho, que não quer abrir mão dele quase sempre pelo dinheiro e não porque o ama. A megera também pode ser a futura sogra da mocinha que não aceita nem por decreto que o filho se case com uma pobretona.

Dica 3: Um bairro pobre, uma vila, uma favela deve ser a origem da mocinha, que nunca esquecerá os grandes amigos do lugar de onde veio, pois eles sempre estão prontos para ajudá-la.

Dica 4: No decorrer da trama a mocinha deve ficar cega, louca ou perder a memória.

Dica 5: Alguém deve roubar o filho da mocinha ou ela mesmo por algum motivo deve perdê-lo. É claro que depois de algum tempo ele deve ser reencontrado, mas até lá muitas lágrimas, muita dor, muito sofrimento embalará a história. Quer coisa melhor? No final tudo se resolve e o casal depois de tantos obstáculos viverá feliz para sempre.

Tudo que foi dito acima trata-se apenas de uma brincadeira, já que  assisti mais de cinquenta novelas mexicanas, sem contar as reprises e, apesar de muitas serem previsíveis, sou um grande fã das mesmas e além disso nem todas as novelas mexicanas são iguais, porque todas as regras tem suas exceções e não seria diferente com elas. Fico por aqui, um abraço a todos e até a próxima.


* Gilmar Moraes

SBT só pode estar maluco, não?

Ontem o bafafá nas redes sociais era um só: a re-re-re-re-re-reprise de Marimar.

Bem sabemos que o canal adora um mofo, mas não precisa exagerar, né? A novela foi exibida ano passado!

Vão começar tudo de novo? Depois vem Maria do Bairro, Maria Mercedez, escalam novamente Pérola Negra, Fascinação…

É bem verdade que o acervo de novelas da emissora não é assim tão grande, especialmente as que poderiam voltar ao ar garantindo bons índices…

Só que tudo tem um limite, não?

Thalía, a estrela volta a brilhar

Nascida na Cidade do México em 26 de agosto de 1971 Ariadna Thalía Sodi Miranda a cantora, atriz, empresária e escritora tem muitos fãs espalhados pelo mundo e uma boa parte deles se encontram aqui no Brasil. Começou na década de 80 como cantora de um grupo. Depois na mesma década começou como atriz na novela Pobre Senhorita Limantour, ela não foi a pobre Senhorita Limantour, pois nessa novela fez apenas uma participação especial. Em 1987 sim foi protagonista ao lado de outras atrizes da novela Meus Quinze Anos que o SBT exibiu por aqui.

A título de curiosidade o SBT exibiu alguns anos depois o remake dessa novela, chamava-se Primeiro amor a mil por hora. Mas voltando à ThalÍa ela fez ainda a novela Luz e Sombra, que não passou por aqui e que não chamou muita atenção lá no México. A partir de 1992 começa seu auge com Maria Mercedes, em 1994 viria Marimar, em 1995 Maria do Bairro e em 1999 Rosalinda, sua última novela. Todas foram sucessos arrasadores e por elas o mundo conheceu Thalía.

Hoje aos 41 anos ela é casada com Tommy Mottola, diretor da Sony Music e é mãe de dois filhos, um casal. Seus cds são sucesso de venda e atualmente ela reside nos Estados Unidos e por enquanto não é certa sua volta às telenovelas. Convites é que não faltam. A Televisa e outras emissoras latinas já fizeram vários, mas para fazer novelas Thalía quer que a trama tenha poucos capítulos e que seja gravada onde está residindo. Se depender da vontade dos fãs, logo, logo ela estará de volta às telenovelas.

Enquanto não se pode vê-la em uma novela inédita os fãs brasileiros podem matar saudades da estrela vendo-a brilhar novamente em Rosalinda, que reestréia nas tardes do SBT nesta segunda. Assim como nas outras tramas a protagonista aqui não escapa de megeras alucinadas, um amor quase impossível e muitas lágrimas, do jeito que os fãs gostam. Rosalinda é da escritora venezuelana Delia Fialho e tem por volta de 80 capítulos de muita emoção, boa pedida para quem gosta de uma novela curta. Fico por aqui, um abraço a todos e até a próxima.

* Gilmar Moraes

Classificação ou imposição indicativa?

A classificação indicativa é um mecanismo adotado pelo governo para controlar a programação da tv aberta. Ela funciona da seguinte forma: classificação livre: os programas podem ser exibidos em qualquer horário, 10 anos: também em todos os horários, 12 anos: a partir das 8 da noite, 14 anos: a partir das 9 da noite, 16 anos: a partir das 10 da noite e 18 anos: a partir das 11 da noite. Só que os critérios, o porque disso e se o conteúdo das atrações é analisado de forma coerente é uma resposta difícil de saber, pois em alguns casos sim em outros não. O que difere essa classificação de hoje com a censura da ditadura é apenas o fato de que hoje não se mexe com o jornalismo, esse é isento, o sério e os programas travestidos de jornalísticos também.

A classificação indicativa é feita primeiro pela emissora depois o órgão responsável pode concordar ou não. Vejam os casos das seguintes novelas: Da cor do pecado, Malhação (atual temporada), Lado a lado e Guerra dos Sexos. Todas elas a Globo autoclassificou como livre, já o órgão responsável não concordou e as classificou como impróprias para menores de 10 anos. Por sorte essa alteração não culminou em mudanças de horário. A Globo também teve sorte com Mulheres de Areia, após a última reprise a novela foi reclassificada para 12 anos e agora só pode ser levada ao ar depois das 8 da noite ou no Viva, já que não há classificação por horário em tv fechada, por haver meios dos pais controlar o que os filhos assistem.

Não deve ser nada fácil a vida dos autores e diretores de novela no que tange à classificação indicativa, pois qualquer deslize, qualquer excesso pode custar a reclassificação levando a uma possível mudança de horário. Isso explica porque Malhação, por exemplo, está cada vez mais parecida com novela infantil ou com novela tradicional. Está longe de ser um programa para jovens. Assuntos que consideram mais pesados como uso de drogas, por exemplo, tem que passar longe da trama ou então ser retratado de forma sutil, quase imperceptível. O SBT passou por uma reclassificação indigesta com Camaleões, a novela mexicana exibida à tarde, era classificada para 10 anos, acharam violenta demais e reclassificaram como imprópria para 12 anos. Ou a emissora mudava a novela para às 8 da noite ou tirava do ar. O prazo foi de 2 semanas. Como não tinha vaga na grade noturna o SBT editou os capítulos e exibiu o final coincidindo com o fim do prazo dado. Para compensar os fãs a emissora exibiu a novela com seus capítulos normais até o fim, em seu site.

Há algum tempo realmente pegavam pesado com cenas de sexo e violência em algumas novelas em horários como das 6, das 7. A classificação botou um freio necessário nisso e em partes é até benéfica, mas perde por ser uma coisa sem critérios claros, sem tolerância, por ser uma mera imposição e por ser até inocente, pois, quem garante que um garoto de 14 anos não vai assistir um programa que só pode ser assistido pelos de 16 às dez da noite? Deveria ser analisado o contexto. A violência, por exemplo, existe e se uma novela a mostrar no contexto, sem a explorar é até válido como sinal de alerta. O mesmo vale para as drogas. Um programa como Malhação poderia mostrar de forma clara aos jovens como é um mal o uso das mesmas.

Por fim vou contar a história de Maria Esperança novela que o SBT exibiu em 2007. Essa novela é o remake de Maria Mercedes. O ponto inicial da trama é a morte da noiva do protagonista. Ela toma um tiro no primeiro capítulo e morre. Essa cena era mostrada nas chamas e por essa cena, só por essa cena o órgão responsável queria reclassificar a novela como imprópria para 16 anos, ou seja, a novela que seria exibida às 7 da noite teria que passar para às 10 da noite, mas essa cena era uma das únicas violentas da novela, que é quase uma trama infantil. O SBT conversou e a injustiça não foi cometida. Esse fato é a prova de que não há critérios para analisar as novelas e enquanto for assim a classificação indicativa será igual à censura da ditadura Militar porque os que trabalham nela agem de acordo com suas visões e o que eles acham nocivo para minha família, por exemplo, eu posso não achar. Fica a torcida não para que a classificação acabe, mas para que um dia se torne pelo menos mais coerente. Fico por aqui, um abraço a todos e até a próxima.

* Gilmar Moraes

Da Cor do Pecado: A reprise da reprise…é necessário?

No momento a TV aberta está reprisando quatro novelas e pasmem: todas já foram reprisadas, ou seja, a reprise da reprise. Da Cor do Pecado, Gotinha de Amor, Canavial de Paixões e Maria Mercedes. Por que as emissoras estão optando por essa tática, em vez de trazer produções que ainda não foram ao ar além de sua primeira exibição?

O Vale a Pena Ver De Novo sofre por conta da censura que não o deixa veicular novelas que originalmente foram exibidas no horário nobre da emissora, mas e outras produções, as das seis e sete da noite? Há muito tempo vejo o público pedindo por Cobras & Lagartos, Uga Uga, O Profeta, Paraíso entra tantas outras. A nova re-reprise estreou com baixa audiência e não vem satisfazendo quem ainda tem bem fresco na mente a história de Paco, Preta, Bárbara e outros personagens.

O SBT é a campeão em reprises. Não é difícil encontrar novelas que já foram reprisadas, três, quatro, cinco vezes, e ainda continuam conquistando uma audiência satisfatória para a emissora. As mexicanas são os maiores sucessos, e nem viram mais piada, o público se acostumou a vê-las indo ao ar num intervalo de menos de dois anos. No fundo essa atitude esconde o comodismo e a falta de investimento, sendo fácil viver de reprises em vez de se investir em teledramaturgia ou qualquer outro caminho para tirar a programação desse mesmo caminho. O Programa da Tarde da concorrente vem tentando montar algo diferente para conquistar esse nicho que não quer ver reprises, mas dificilmente com o que vem sendo apresentado conseguirá esse feito.

Assistir televisão é questão de costume realmente, mas as emissoras deveriam prestar mais atenção em seus excessos e ver que em algum momento isso deixará de ser tão prejudicial a nós e a eles também, que a tempos migram pra outras mídias, especialmente no horário da tarde, o momento “Viva” da TV aberta.


* Guilherme Rodrigues, estudante de jornalismo da UNITAU

SBT não acorda, mas ainda assim faz a festa em cima da Record

Se fosse só o fato de o novo Programa da Tarde estar penando ao encarar a reprise de Gotinha de Amor, vá lá, a gente dava quarenta centarro de desconto. Mas tem mais.

Ontem Rebelde e Máscaras registraram três e quatro pontos, respectivamente. Sim, a trama que foi lançada pra ser um fenômeno – tipo Cheias de Charme, sabe? – e acabou copiando Carrossel, está capengando cada dia mais.

Mas essa é só a ponta do iceberg. As duas novelas são inéditas, não?

Pois é, as reprises do SBT, também nesta segunda, fizeram cinco (Gotinhas de Amor), quatro (Canavial de Paixões) e cinco (Maria Mercedes).

Se as reprises bateram a concorrente, Carrossel segue fazendo a festa da emissora de Silvio Santos: 13.

O que é uma pena no meio disso tudo? O SBT continuar dormindo e não aproveitar essa fase tenebrosa da Record para dar uma rasteira definitiva.

Estão com a faca e o queijo na mão e continuam dormindo em frente ao televisor esperando por um milagre.

A nova velha novela

Vera Holtz encenando no lixão cenográfico de Avenida Brasil 

 A TV de hoje não é a mesma de ontem. Papo antigo, mas muito verdadeiro. Com a ascensão da famosa Classe C, a dramaturgia se vê obrigada a trazer a tona temas que antes fossem apenas pano de fundo de suas histórias.

Três domésticas protagonizam novelas, moradores do subúrbio e até de um lixão viraram tema. Mas não é de hoje que a vida da Classe A parou de ser assunto principal.

Tramas mexicanas reprisadas a exaustão até os dias de hoje já abordavam a Classe Baixa, como exemplo a famosa trilogia das Marias (Maria Mercedes, Marimar e Maria do Bairro). O diferencial seria que no fim todas conseguiam subir de classe econômica, seja por descobrirem serem herdeiras de algum parente desconhecido ou por casarem com o “mocinho rico” (algo que se assemelha a contos de fadas).

Slogan de Máscaras, o que de certa forma acabou remetendo na audiência da novela 

Máscaras, recente trabalho de Lauro César Muniz, fugiu literalmente desses critérios e vem amargando várias vezes o terceiro lugar da audiência. O público agora diferenciado vem em busca do que se assemelhe a realidade de seu cotidiano.

Histórias complexas e de personagens que mais se remetem a um folhetim policial não são mais atrativas. A novidade de tratar o óbvio do dia-a-dia criou um novo modo de manter o público diariamente. São os novos dramaturgos falando sobre a minoria e de certa forma inovando falando do que é corriqueiro.

* do internauta Guilherme Rodrigues

Maria do Bairro e… um salve ao passado!

Engraçado esse post entrar no ar depois do de Mulheres de Areia, eleita por mim como a melhor telenovela em exibição.

Maria do Bairro, assim como MA, é uma novela que pode ser reprisada trocentas vezes, ainda assim, vai continuar fazendo barulho e gerando audiência. É um fenômeno, maior que Marimar e Maria Mercedez, no mesmo nível de A Usurpadora.

E são as duas únicas mexicanas que eu adoro e assisto com prazer. Nada como Soraya Montenegro e Paola Bratcho, prato cheio para quem curte vilãs!

E aí que… o que seria da gente se não fossem as reprises??

Eu, que não sou de reprises, tanto que raramente passo pelo Viva, só nos últimos tempos vi Vale Tudo, Mulheres de Areia e agora faço questão de rever Maria do Bairro, com muita honra tã nã nã!

E no meio do caminho teve O Astro, remake de um grande sucesso e que foi um achado em 2011.

O passado tem mandado lembranças com frequência e, quando a gente para pra pensar no presente… dá uma preguiça do futuro!

Precisamos de novos e bons roteiristas, com urgência!